segunda-feira, 5 de março de 2012

José de Andrade de Assis e Santos

     De entre os mortaguenses que se distinguem na nossa história local, recordo o Dr. José de Andrade de Assis e Santos através de alguns registos biográficos, para percebermos a importância desta personalidade no nosso concelho.
     Nasceu em Vale de Remígio, Mortágua, em 1903 e faleceu em 1979. O seu percurso académico iniciou-se na freguesia de naturalidade, onde, na instrução primária, foi aluno do pai, professor Joaquim dos Santos. Licenciou-se em medicina na Universidade de Coimbra. Foi várias vezes convidado a dar aulas na faculdade, mas preferiu exercer medicina com total disponibilidade, no seu concelho.
     Para acudir aos doentes, percorria estradas e caminhos, montes e vales, fizesse chuva ou calor, tanto de dia como de noite. Chegava a andar a pé centenas de quilómetros e aos doentes pobres oferecia os medicamentos e não cobrava dinheiro pelas consultas.
Era um homem muito culto. Falava francês, latim, inglês, alemão, russo e grego. Interessou-se pelo desenho, pela fotografia e pela história. Desejoso por transmitir os resultados das suas investigações, escreveu livros sobre a história local, como por exemplo
     O Pelourinho de Mortágua (1940) e Mortalacum (1950). Construiu um microscópio artesanalmente que, na altura, era a segundo melhor lente do país e permitiu que fosse o pioneiro em análises clínicas neste concelho.
Em sua homenagem, Mortágua tem uma avenida com o seu nome e, no Jardim Municipal, um monumento com a sua efígie em relevo.
     Pelo exemplo de vida que nos deixou, de humanismo e cultura, o Dr. José de Andrade de Assis e Santos é-nos muito grato.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Capela na Sobrosa


     Na minha localidade de Sobrosa, freguesia de Espinho, ergue-se uma singela capelinha em  honra do Senhor dos Aflitos. Está situada na Rua do Cabecinho.
     Procurei conhecer a história desta capela, mas colocou-se-me o problema de não ter encontrado informações escritas sobre ela. Uma fonte oral contou-me que «há muitos anos atrás, um senhor chamado Álvaro Carvalhinho recorreu ao Senhor dos Aflitos quando partia para a guerra, prometendo que, se voltasse à sua terra natal, haveria de erguer uma capela em sua homenagem».
     Tenho dúvidas e preciso de resolvê-las, como quem desvenda um mistério: para que guerra iria, em grande aflição, aquele senhor? Anoto que a capela, que terá nascido daquela promessa, tem à entrada, no chão, a inscrição do ano: 1911.
     Para que esta construção não seja marginalizada e como faz parte de um dos momentos da história da minha freguesia, são bem-vindas as informações que possam chegar dela! 


Patrícia Ferreira, 5.º D
Ao letivo 2011-12

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O moinho de água de Caparrosinha e a economia local



Moinho de água – Caparrosinha: a queda de água aumenta a força motriz.
Fotógrafo: Antonio M. Jorge (15 August 2007).

O concelho de Mortágua situa-se numa região com muitos cursos de água, aproveitados para movimentar os nossos tradicionais moinhos.
    Em Caparrosinha e Caparrosa, duas povoações que pertencem à freguesia de Marmeleira, havia oito moinhos mas foram-se arruinando e, arrastados pelas cheias, desapareceram. Os moinhos guardam histórias dos nossos trisavô e bisavô, que exerceram a profissão de moleiro. Hoje existe um que ainda está a funcionar, herdou-o a nossa prima, Hermínia. Estivemos no moinho e dela ouvimos parte do nosso passado e registámos algumas das suas lembranças.
    É um moinho de rodízio, tem aproximadamente 150 anos e a pedra das paredes é a lousa. Tem duas mós de granito à entrada e outra pronta a trabalhar, dentro do moinho.
    Durante muitos e muitos anos, a atividade de moagem fez parte da sobrevivência da nossa população. A farinha era a base da alimentação, utilizada não só para cozer a broa, mas também na culinária e na alimentação dos animais. O moleiro andava de aldeia em aldeia com um ou dois burros a recolher as taleigas – sacos que continham uma medida de cereal; depois de moído o cereal, arrecadava a maquia – porção de farinha como pagamento do cereal que lhe davam para moer – e, com ela, sustentava a família.
    Os moinhos mostram a ligação entre o aproveitamento das águas e a atividade agrícola, destacando-se, na nossa região, o cultivo do milho.
    No moinho de Caparrosinha, pareceu-nos ouvir a chiadeira de todos os outros que por ali existiram, a funcionar!
 
Ana Pardal e Maria Miguel Vicenta, 5º B
Amigas do Património                                     

A Capelinha das Alminhas de Vale de Remígio


     Na aldeia de Vale de Remígio, em frente à escola primária, existe um pequeno oratório conhecido como Capelinha das Alminhas, onde é frequente vermos velas e lamparinas. Recentemente foi pintada, ficando o ano da sua construção escondido. Mas quando os meus tios e a minha mãe frequentavam a escola, ela já existia há alguns anos.
     As Alminhas são uma das expressões da religiosidade do nosso povo. Quem passa no local, pára um momento para fazer uma oração, pedindo aos santos para que as almas cheguem ao Céu. Em troca, ilumina o caminho do crente, protegendo-o.
     Portugal é o único país do mundo que possui, no seu património cultural, Alminhas. Mas há pessoas ignorantes e maldosas que destroem este património.
     Esta Alminha em Vale de Remígio foi, durante muitos anos, cuidada pela dona Celina Gonçalves, contínua da escola.
te meu trabalho tem como finalidade chamar a atenção das pessoas para a preservação das Alminhas.

Cristiana Costa, 5.º D
Ano letivo de 2011-2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Moinhos de Água, em Vila Gosendo - Sobral

     Em Vila Gosendo, freguesia de Sobral, há cinco moinhos de água antigos dos quais não consegui apurar datas. Neste momento só dois continuam a cumprir a sua missão: produzir farinha de milho. A água que os faz funcionar vem de uma nascente da povoação de Felgueira. Esta água vai por uma levada por meio de pinhais e quando chega a Vila Gosendo é recebida numa represa perto dos moinhos e conduzida para o interior das casas dos moinhos para pôr a funcionar os engenhos.
     Descendo da represa por uma conduta, a água bate em queda no rodízio, roda colocada na parte inferior, paralelamente a duas mós, anéis maciços de pedra. As mós têm uma abertura por onde passa um eixo vertical. Este atravessa a abertura da mó de baixo que é fixa, e a da mó de cima.  A força da água, impelida sobre o rodízio, fazem-no girar; por sua vez, o rodízio movimenta o eixo e este aciona a mó rotativa de granito. 
     Os grãos de milho são colocados pelo moleiro na moega e vão caindo por um cano que dá acesso ao centro da mó rotativa. É entre as duas mós que o milho é esmagado – partido ou feito em farinha, conforme o desejado.
     Antigamente estes moinhos tinham uma utilização coletiva e o serviço da moagem era pago com uma quantidade de farinha.

Eduardo Lopes – 5º B
Ano Letivo 2011-2012